O Ponto de Memória Estação do Cordel foi inaugurado em 14 de março de 2017 – Dia Nacional da Poesia – na Praça Padre João Maria, no Centro Histórico de Natal. Criado coletivamente por poetas, educadores e artistas populares do Nordeste, o espaço nasceu com o objetivo de promover e proteger a literatura de cordel e outras manifestações culturais nordestinas.
Desde então, a Estação do Cordel leva o cordel às ruas, ocupando a praça com atividades permanentes em datas como o Dia Nacional da Poesia, Dia do Folclore e Dia do Cordelista. Ao longo da última década, a Estação do Cordel consolidou Natal como palco das tradições populares. Em novembro de 2024, a instituição promoveu simultaneamente o 1º Festival de Cordel e Repente na Praça e o 8º Círculo Natalense do Cordel.
Os eventos gratuitos reuniram poetas e repentistas de várias regiões do país e incluíram exposições de xilogravuras, mesas-redondas, saraus e lançamento de livros. Destaca-se o lançamento da antologia Versos de Liberdade: Ditadura Nunca Mais (resultado da 1ª edição do Concurso Nacional da Estação do Cordel). Além dessas edições de 2022 a 2024 do Círculo Natalense do Cordel, a Estação realizou duas edições do concurso nacional de cordel, premiando as três primeiras colocações em cada ano.
O grupo também desenvolve projetos mensais e ações regulares que atraem ampla participação popular. Um exemplo é o projeto “Quarta Autoral”, série de shows de música autoral potiguar realizada nas quartas-feiras. A Estação realiza ainda saraus literários, oficinas de cordel e rodas de conversa temáticas, valorizando o intercâmbio de saberes com a comunidade. Essas atividades envolvem poetas, xilógrafos, músicos e público em geral, promovendo o diálogo do cordel com outras linguagens locais (coco, chorinho, teatro de bonecos etc.).
O protagonismo feminino é evidente na coordenação de Antonia “Tonha” Mota – poeta cordelista e líder cultural –, que incentiva a participação de mulheres no cordelismo nordestino. Em seus ênfases diversos, o ponto de memória já publicou livros e folhetos sob o selo próprio “Estação do Cordel”, contribuindo para a circulação das obras dos autores envolvidos. Todas essas ações reforçam o papel do grupo na salvaguarda do patrimônio imaterial. Ao abordar temas como educação patrimonial, democracia e igualdade racial, o coletivo democratiza o acesso às tradições populares e estimula reflexões críticas na comunidade.
A Estação do Cordel, inserida no simbólico território da Cidade Alta, reaviva a memória cultural de Natal e aproxima o cordel do meio acadêmico e escolar. Suas iniciativas de pesquisa e registro (por exemplo, a divulgação de biografias de cordelistas locais) fortalecem a identidade regional e a cidadania cultural. Dessa forma, a Estação do Cordel valoriza a diversidade nordestina, dinamiza a economia criativa (pela comercialização dos livretos) e mobiliza moradores e visitantes, tornando-se referência na preservação e difusão do cordel como patrimônio brasileiro.




