O primeiro dia da Teia RN dos Pontos de Cultura foi marcado por um intenso processo de credenciamento e por apresentações culturais que evidenciaram a diversidade das expressões artísticas presentes no Rio Grande do Norte.
A programação também deu início aos Grupos de Trabalho temáticos, que passaram a debater questões centrais como o Plano Nacional de Cultura, a governança da Política Nacional de Cultura Viva, o trabalho e a sustentabilidade da criação artística, os Pontos de Cultura pela justiça climática e a regulamentação da Lei Estadual Cultura Viva.
A programação cultural contou com a Feira de Economia Solidária e Criativa, a Exposição Rabecas e Bailados – um som encantado de Felipe Camarão, apresentação do Coletivo Baobá – Quilombo Capoeiras, e almoço cultural com Carlos Zens. Além da acolhida cultural com o Gira Dança. Toda a programação teve apresentação acolhedora do Trotamundos, que também animou todos os espaços de encontros da Teia.
Representante da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura, Teotônio Roque destacou que este é um momento estratégico de preparação para a Teia Nacional, ressaltando o caráter participativo e colaborativo da Cultura Viva. Para ele, ser Ponto de Cultura vai além do reconhecimento institucional. “Ponto de Cultura tem que ter uma base comunitária, uma ação social, tem que estar junto com as pessoas, porque tem esse compromisso de construção e reconstrução da cultura brasileira. Uma cultura democrática, colaborativa, onde a gente possa falar, ouvir e modificar aquilo que não é bom para a sociedade”, afirmou.
A solenidade de abertura consolidou um momento histórico de celebração, articulação e fortalecimento das políticas culturais no estado. Com a presença de mestres e mestras da cultura popular, artistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil, o encontro reafirmou a potência da cultura potiguar como instrumento de transformação social.
Durante a abertura, a governadora Fátima Bezerra enfatizou a importância da retomada dos investimentos na cultura e de políticas públicas estruturantes para o setor. “Todos nós sabemos o caráter estratégico que tem a cultura para o projeto de nação que defendemos, com solidariedade, com justiça social, com dignidade”, declarou. Já a secretária estadual de Cultura, Maryland Brito, destacou o papel do encontro como exemplo de integração entre poder público e sociedade civil. “Ser Ponto de Cultura é pensar numa sociedade melhor”, pontuou.
O ambiente de troca e colaboração foi uma das marcas do evento, promovendo conexões entre iniciativas urbanas, rurais, indígenas e quilombolas, revelando a pluralidade cultural do estado. A presença de representantes de diferentes territórios fortaleceu o compromisso com a democratização do acesso à cultura e a valorização das identidades locais.
Mais do que um evento, a Teia RN dos Pontos de Cultura se consolida como um espaço estratégico de escuta, articulação e construção coletiva, apontando caminhos para o fortalecimento das políticas culturais e para a continuidade das ações em rede no estado.
A programação segue nesta sexta-feira com a aprovação do Regimento Interno do Fórum Potiguar dos Pontos de Cultura, apresentação das propostas dos Grupos de Trabalho e a realização da Plenária Final, que elegerá a Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, o representante estadual para a Comissão Nacional e os delegados rumo à 6ª Teia Nacional – Pontos de Cultura pela Justiça Climática.
Para Henrique José, do Pontão Zoon e da Comissão Estadual dos Pontos de Cultura, a discussão ambiental é central nesse processo. “Quando falamos de justiça climática, estamos falando do respeito à terra, às tradições da cultura popular e à nossa ancestralidade. Os Pontos de Cultura têm um papel fundamental nessa religação com a natureza, orientando ações pautadas na sustentabilidade e na responsabilidade social e ambiental”, destacou.


